segunda-feira, 13 de agosto de 2012

IGREJA: TIRADOS PARA FORA 3ª PARTE



Leia também: Parte 1 | Parte 2 | Parte 4.



IGREJA:
"TIRADOS PARA FORA"


"... e sobre esta pedra edificarei a minha igreja,
e as portas do inferno não prevalescerão contra ela."

(Mt 16.18)
 
 
PARTE 3
 
  
 
O MODELO BÍBLICO DE DISCIPULADO
 
 
Estudando os Evangelhos e o livro de Atos, eu encontrei um movimento comum que ocorreu no ministério do Senhor, dos apóstolos, de Barnabé, de Paulo, e assim sussessivamente. Existe ali uma clara cadeia de discipulado que começa com o Senhor Jesus e vai até Priscila e Áquila, Timóteo, etc. Mas como isso se sucedeu? Vejamos...
 
 
O modelo de liderança de Jesus
 
Primeiro veio o Senhor Jesus, que saiu de sua “terra” e veio até nós, certo? Pois logo no início do seu ministério Ele toma uma decisão muito importante que torna-se o cerne de sua jornada: fazer discípulos. E ele fez, começando por Pedro e André:
 
“E Jesus, andando ao longo do mar da Galiléia,
viu dois irmãos - Simão, chamado Pedro, e seu irmão André,
os quais lançavam a rede ao mar, porque eram pescadores.
Disse-lhes: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens.
Eles, pois, deixando imediatamente as redes, o seguiram.”

(Mt 4.18-19)
 
Logo depois Jesus chama a Tiago e João:
 
“E, passando mais adiante, viu outros dois irmãos - Tiago, filho de Zebedeu,
e seu irmão João, no barco com seu pai Zebedeu, consertando as redes;
e os chamou. Estes, deixando imediatamente o barco e seu pai, seguiram-no.”

(Mt 4.21-22)
 
Destes versículos já podemos tirar grandes lições: a primeira é que o líder deve chamar seus seguidores. A segunda é que os discípulos devem deixar tudo para trás, e seguir seu líder. O discipulado de sucesso é aquele que o líder chama seu liderado e este o segue imediatamente, deixando tudo para trás. O que isso significa? Significa que o líder adota o discípulo como um filho, assumindo-o em todas as responsabilidades e condições. Onde estavam Pedro e André? No barco, trabalhando... e o barco ficou para trás. E agora, quem paga as contas? O líder! Onde estavam Tiago e João? No barco do pai, trabalhando... e o barco e o pai ficaram para trás! E agora, quem é o pai deles? O líder, Jesus. Mas e nós, estamos chamando nossos seguidores para assumirem um discipulado a esse nível? Estamos dispostos a pagar as suas contas, a cobri-los como pais espirituais e torná-los nossos filhos? Jesus tornou-se pai dos seus discípulos (Jo 21.5). Eu imagino que Pedro, André, Tiago e João tomaram essa decisão radical porque sentiram firmeza em quem os estavam chamando. Isso é muito sério!
 
Quando eu decidi tornar-me discípulo do meu pastor, ele por sua vez me adotou como filho, e não somente eu, mas minha esposa e minhas filhas também. Ele me sustentou, me apoiou e dividiu o prato comigo e com minha família. Até hoje comemos na mesma mesa e, se necessário, comemos no mesmo prato. Essa é a confiança que eu tenho no meu pastor. Esse é o caráter de um líder como Jesus. Ele assume o papel de pai, torna-se pai mesmo. Mas e nós, estamos transmitindo a mesma confiança a nossos liderados? Será que eles confiam em nós a tal ponto? Esse é um bom sinal: “eles, pois, deixando imediatamente as redes, o seguiram”. O discipulado de sucesso começa com o líder em ser verdadeiramente pai dos seus discípulos; e termina com os discípulos em confiarem totalmente em seu líder e o seguirem. Vejam o exemplo de Levi em Lc 5.27-28: “Este, deixando tudo, levantou-se e o seguiu”. Ser seu díscípulo tem que valer a pena, senão ninguém te seguirá.
 
Primeiro o líder chama os seus seguidores e os adota, mas depois disso ele deve treinar e capacitar os seus liderados. Vejamos o exemplo do Senhor Jesus:
 
“Jesus, pois, vendo as multidões, subiu ao monte; e, tendo se assentado,
aproximaram-se os seus discípulos, e ele se pôs a ensiná-los...”

(Mt 5.1-2)
 
E ali o Senhor ditou o sermão do monte, e também deu várias advertências e ensinos aos discípulos. Ou seja, Ele ensinou, treinou e capacitou os discípulos. Os seus liderados devem receber de você o ensino, eles tem que conhecer a sua voz, sentir o seu ritmo, eles têm que conhecer até mesmo a batida do teu coração! (Jo 21.20). Você sabe como é que as ovelhas passam a conhecer a voz do pastor, ao ponto de sentirem a batida do seu coração? Quando ele as carrega no colo, encostadas em seu peito. Será que nossas ovelhas têm sentido o nosso calor? Ai irmãos! Os teus discípulos têm que se sentir preparados e confiantes para a missão que virá a seguir. Eles têm que sentir que o seu ensino é verdade, senão eles não acreditarão em você. Eles têm que se sentir sustentados em teus braços, senão não valerá a pena obedecer quando você os chamar para a missão.
 
Após tê-los dado o treinamento necessário, Jesus os envia para um teste prático no campo:
 
“E, chamando a si os seus doze discípulos, deu-lhes autoridade...”
(Mt 10.1)
“A estes doze enviou Jesus, dando-lhes as seguintes instruções...”
(Mt 10.5)
Eis que vos envio...”
(Mt 10.16)
 
Vejam que está muito clara a cobertura que o Senhor deu aos seus liderados: Ele os enviou dando-lhes autoridade, respaldo, Ele confiou em seus discípulos. E eles foram com a certeza de que o Senhor está os cobrindo. Vejam que Jesus os istruiu perfeitamente sobre a missão. Ele não os lançou num “buraco negro” ou numa fogueira. Eles sabiam exatamente o que tinham que fazer, porque o Mestre foi muito claro em transmitir-lhes a ordem. Discipulado é isso: os liderados conhecem o teu coração, eles entendem a tua mensagem e seguem a sua ordem porque a tua liderança está muito clara e transparente, a tua mensagem está nítida e eles estão reconhecendo em você um líder que vale a pena seguir. Se a sua liderança não estiver acontecendo dessa forma, é hora de reavaliar a sua forma de liderar seus discípulos.
 
E, depois de tudo isso, no retorno da missão, o Senhor os recepciona para um momento a sós, em comunhão:
 
“Reuniram-se os apóstolos com Jesus e contaram-lhe tudo
o que tinham feito e ensinado. Ao que ele lhes disse: Vinde vós, à parte,
para um lugar deserto, e descansai um pouco
. Porque eram muitos os que vinham e iam, e não tinham tempo nem para comer.
Retiraram-se, pois, no barco para um lugar deserto, à parte.”

(Mc 6.30-32)
 
Outro segredo na liderança de Jesus: nós líderes devemos ser um porto de refúgio para os nossos liderados. Eles devem encontrar em nós um coração preocupado com eles, um refúgio mesmo. Se eles estão cansados, eles têm que encontrar em nós o descanso. Lembra do Salmo 23? “Deitar-me faz em pastos verdejantes; guia-me mansamente a águas tranqüilas” (v. 2). Você tem guiado seus discípulos a pastos verdejantes e a águas tranquilas? Pois o Senhor Jesus fez isso com os seus discípulos, e nós devemos fazer o mesmo também.
 
E agora, no final, quando os discípulos já estão prontos, o Senhor Jesus definivamente os envia para serem líderes como Ele foi e a fazerem o mesmo que Ele fez. Primeiro Ele chamou, depois ensinou, treinou e os capacitou, depois levou-os para o teste prático dando-lhes autoridade e, finalmente, os ordenou para a missão da Igreja:
 
“E, aproximando-se Jesus, falou-lhes, dizendo:
Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra.
Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações,
batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;
ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado;
e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos.”

(Mt 28-18-20)
Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samária, e até os confins da terra.Tendo ele dito estas coisas, foi levado para cima, enquanto eles olhavam, e uma nuvem o recebeu, ocultando-o a seus olhos.”
(At 1.8-9)
 
Pastores, tentem me compreender com espírito manso e humilde. É aqui que nós estamos cometendo os piores erros com os nossos liderados, não depositando sobre eles a confiança que eles merecem após eles mesmos terem depositado toda a confiança em nós como pastores, como líderes que vale a pena seguir. Nós não estamos formando apostolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres, mas estamos formando gerentes de filial, suplentes, substitutos de ocasião. Não foi isso que o Senhor Jesus fez! Ele subiu aos céus, Ele voltou para casa! E Ele confiou totalmente nos seus discípulos, tornando-os apóstolos e entregando-lhes as chaves do Reino aqui na Terra. Agora era com eles; o Senhor dependia da fidelidade deles, mas Ele chamou, ensinou, treinou, e agora enviou mesmo! Se deu certo com os apóstolos, por que não daria com os nossos melhores líderes? “Dar-te-ei as chaves do Reino dos céus...” (Mt 16.19) Ele disse para Pedro. Ele deu para Pedro essas chaves, e continua dando essas chaves a nós até hoje, mesmo não merecendo. Ele acredita em nós assim como acreditou em Pedro. Por que não faríamos o mesmo com nossos discípulos? Não faríamos o mesmo somente se não acreditássemos em nossa própria liderança. Eu e você precisamos ser humildes para reconhecer e mudar.
 
 
O modelo de liderança dos apóstolos na vida de Paulo
 
A história de Deus na vida de Paulo começa com o martírio de Estêvão. Ele estava ali e vendo tudo aquilo, e consentiu com a morte daquele homem (At 7.56-60). A história segue narrando a fúria que Saulo nutria contra os cristãos (At 9.1-2) quando Ele se pôs no caminho de Saulo, e a história mudou (At 9.3-4). Mais uma vez Jesus atua dentro do seu chamado missionário para mudar a história, antes na vida dos apóstolos, e agora na vida deste que foi o maior homem de Deus narrado no Novo Testamento. O bastão foi passado (At 9.15-16). Saulo se converteu.
 
Então Paulo torna-se discípulo de Ananias, seu primeiro pastor (At 9.18-19). Depois de muitos dias, Paulo vai até Jerusalém para aprender com os apóstolos (At 9.26-27). Agora seu discipulado foi com aqueles que foram testemunhas oculares da história de Jesus na Terra; aqueles que aprenderam diretamente com o Mestre. Provavelmente foi aqui que Barnabé conheceu a Paulo, e este passou a ser discipulado diretamente por Barnabé, seu principal discipulador como vimos anteriormente.
 
Agora Saulo torna-se discípulo de Barnabé, e este o leva para Cesaréia e também para Tarso, cidade natal de Saulo. Desde Damasco, quando Paulo ainda era discípulo de Ananias, ele prega e exerce o seu chamado – ou seja, já foi logo praticando tudo o que aprendeu. Lembra quando o Senhor comissionou os discípulos para “treinarem”? (Mt 10). Saulo está treinando...
 
Quando Barnabé retorna de Antioquia para Tarso à procura de Saulo, este é levado por Barnabé para Antioquia, e ali o discipulado de Barnabé na vida de Saulo tornou-se ainda mais intenso, aprendendo e praticando também em Antioquia (At 11.26).
 
Um ano depois, estando Barnabé e Saulo servindo e jejuando na Igreja de Antioquia, o Espírito os chama para, enfim, cumprirem o chamado apostólico (At 13.1-2). É o Espírito Santo quem os envia. Observe que ocorreu na vida de Saulo o mesmo crescimento que houve na vida dos apóstolos: chamadoaprendizadotreinamentoordenação. Agora ele é chamado e guiado pelo Espírito Santo para a obra, mas continua tendo um pastor sobre a vida dele. Mas observe também que Barnabé é o primeiro nome entre os profetas e mestres de Antioquia, e Saulo é o último. Saulo agora é apóstolo, mas o discipulado não termina aqui. O que eu aprendo com isso? Que não existe nenhum relato bíblico que nos mostre que Barnabé ou outro líder da igreja exercia governo sobre o ministério de Paulo – é o Espírito Santo quem edifica a Igreja – mas Paulo continua tendo um pastor que cuida dele, para que ele cumpra o seu chamado: “Separai-me agora, para a obra que os tenho chamado”. Da mesma forma que o Senhor Jesus formou os apóstolos, Paulo também foi formado: 1. chamado2. ensino3. treinamento4. ordenação.
 
 
O modelo de liderança de Paulo na vida de Áquila e Priscila
 
Neste “seminário do Espírito Santo”, qual foi a única coisa que Paulo aprendeu a fazer? Foi o que ele aprendeu com os apóstolos, que por sua vez aprenderam com o Senhor Jesus: Ir e fazer discípulos de todas as nações, pregar o Evangelho a toda criatura, desde Jerusalém, Samaria e toda a
Judéia, até os confins da Terra. Foi isso o que ele aprendeu, e foi somente isso o que ele fez. Em todo o seu ministério, desde At 13.1 até 2Tm 4.6, Paulo apenas cumpriu a ordem dada pelo Senhor Jesus em Mt 28.19-20, Mc 16.15, Lc 24.47 e At 1.8 . Podemos notar o mesmo modelo de formação de discípulos também na vida de Áquila e Priscila.
 
Em At 16.1-5, depois do episódio de separação entre Paulo e Barnabé, um discípulo se sobressai: Timóteo, e Paulo o adota como filho em seu ministério (lembram de Jesus, que adotou os apóstolos? E de Barnabé, que adotou a Saulo?). E em todas as viagens, em todas as cidades e igrejas que Paulo estabelece, Timóteo o segue como fiel discípulo. É o discipulado de Jesus se repetindo também no ministério de Timóteo...
 
Mas em At 18.1-4, quando Paulo chega a Corinto, ele conhece o casal Áquila e Priscila. Como Paulo e Áquila são do mesmo ofício, os dois passam a trabalhar juntos. Paulo permaneceu em Corinto por um ano e seis meses, ensinando entre eles a palavra de Deus (At 18.11). O livro de Atos não relata com detalhes, mas podemos entender que um discipulado direto de pai para filho se iniciou ali entre Paulo e o casal Áquila e Priscila. Quando Paulo posteriormente escreve para a igreja de Corinto, ele saúda a Áquila e Priscila, e a igreja que está em sua casa (1Co 16.19). Aqui Paulo escolheu os discípulos e os ensinou.
 
Depois de um ano e meio, quando Paulo viaja para Éfeso, ele leva consigo Priscila e Áquila, para juntos estabelecerem naquela cidade uma igreja (At 18.18-19). Uma igreja foi estabelecida em Corinto através de Paulo, onde eles foram evangelizados e ensinados. Agora, em Éfeso, Paulo estabelece uma igreja com a assistência de seus dois “filhos” Áquila e Priscila. Observem o detalhe do versículo 19: “chegados a Éfeso, deixou-os ali...”. Paulo confiou totalmente em Áquila e Priscila para estabelecerem aquela igreja! Paulo estava sempre por perto, ajudando e observando, mas aquele era o “teste prático” de seus discípulos, e a Igreja de Éfeso foi estabelecida. Notem o mesmo movimento: primeiro Paulo os escolheu; depois ele os ensinou; depois os levou para o treinamento prático em Éfeso; e agora chegou a hora dar-lhes autoridade...
 
A Bíblia novamente não nos conta os detalhes, mas podemos entender que a Igreja de Roma não foi estabelecida por Paulo (Rm 1.11 e 15) e a saudação final na carta aos Romanos revela que a igreja reunia-se na casa de Áquila e Priscila (Rm 16.3-5). Eu te pergunto: quem mais poderia ter estabelecido a igreja de Roma? Com o fato dessa igreja reunir-se na casa de Áquila e Priscila, e isso só poderia ter ocorrido após o treinamento deles em Éfeso, eu entendo que somente eles poderiam ter estabelecido a igreja de Roma (no contexto do ministério de Paulo), mas sem o Ap. Paulo. Em algum momento não revelado na Bíblia, Áquila e Priscila foram ordenados para o ministério, e foram para Roma. Por quê Roma? Primeiro porque eles já haviam morado lá (At 18.2). Eles conheciam a cidade, os costumes, as pessoas de lá. Segundo: Roma era na época a capital do mundo, e estabelecer uma igreja lá seria fundamental para prosseguir a ordem do Senhor: “...até os confins da Terra”. Roma seria a cidade de onde a igreja iria alcançar definitivamente os confins da Terra. Por que Paulo não foi para Roma com Áquila e Priscila? Porque após a terceira viagem Paulo vai a Jerusalém para a festa de Pentecostes (At 20.16; Rm 15.25), onde foi preso conforme a revelação de Ágabo (At 21.10-13; 21.17...). Então os seus melhores discípulos, que aprenderam, foram treinados e aprovados, e que já conheciam os costumes locais, sem dúvida foram os mais indicados para essa obra. Paulo tinha toda a confiança que eles fariam um excelente trabalho. Completou-se o discipulado de Paulo na vida de Priscila e Áquila: de discípulos a apóstolos. Assim como Paulo, Barnabé e os apóstolos.
 
Lembram de Timóteo, que Paulo o havia chamado para seguir com ele? Pois Timóteo serviu no ministério de Paulo na segunda e na terceira viagem missionária, sendo posteriormente enviado juntamente com Silas (que também tornou-se discípulo de Paulo) para a Macedônia, depois do treinamento, tornou-se o pastor da igreja em Listra (ver At 16.1-2; 1Tm 1.1-2; 2Tm 3.11). E assim foi durante séculos: homens fiéis ao chamado original, têm entregado suas vidas para que o Evangelho chegasse até nós.
 
Uma advertência: E nossas igrejas, com 200, 500, mil membros ou mais... Temos formado nossos “membros de igreja” em discípulos de Jesus? Temos ensinado nossos líderes a ouvirem a voz do Espírito Santo, chamando-os para a Sua obra? Ou temos fabricado gerentes de filiais, robôs programados para fazerem a nossa vontade, e não a ordem do Senhor Jesus?
 
Você, que é um pastor, líder como eu, saiba que um dia iremos prestar contas de cada um que veio e ingressou em nossas vidas. O rigor com que os pastores serão julgados será muitíssimo severo; não haverá misericórdia que nos livre de nossa negligência naquele Dia. Não se dê por excusado, isso te será inútil diante do Supremo Juiz. Ou nos dedicamos a formar discípulos parecidos com Jesus ou é melhor escolhermos outra coisa para fazer. Ainda dá tempo.
 
“Por isso mesmo vos enviei Timóteo, que é meu filho amado, e fiel no Senhor; o qual vos lembrará os meus caminhos em Cristo,
como por toda parte eu ensino em cada igreja.”

(1Co 4.17)
“Tem cuidado de ti mesmo e do teu ensino; persevera nestas coisas;
porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem.”

(1Tm 4.16)

 
 
 
UMA GRANDE AMEAÇA:
A TRADIÇÃO DOS HOMENS
 
 
...Acautelai-vos do fermento dos fariseus...”
(Mt 16.6)
 
Agora irmãos, temos que falar de algo que realmente causa muita oposição em torno do assunto “igreja”. É o que historicamente é chamado de tradição. Quando Martinho Lutero foi levantado por Deus no séc. XVI para trazer a Reforma e as suas 95 teses, ele renasceu a Igreja Cristã que havia sido esquecida lá no final do séc. IV. Mas Lutero não conseguiu estabelecer a Reforma Protestante sem trazer consigo algumas tradições do Romanismo. Eu não vou abordar aqui uma ou outra tradição especificamente, mas trazer para a nossa discussão a questão: “Devo seguir uma tradição reconhecidamente humana?” Essa resposta é fácil de responder. Mas e se algum líder declara assim: “Deus falou comigo para fazer isso desse modo”. Como reagir? E se esse “modo” que supostamente Deus falou não está declarado explicitamente ou “nas entrelinhas” do Novo Testamento, o que fazer? Aí fica mais difícil respondermos a essa declaração. Mas, agora mesmo, olhe ao seu redor e examine o seu ministério e tudo o que temos feito “em nome de Jesus”... quanto tem de biblicamente legítimo em nossos ministérios e quanto tem de tradição humana? “Ah, mas não há problema com a tradição!”, alguém pode exclamar... Eu sinceramente creio que há sim. A tradição é justamente o que o Senhor Jesus chama de fermento. O fermento é uma levedura, ou seja, um composto feito de bactérias, cuja função é aumentar o volume de uma massa de trigo, normalmente. No contexto bíblico, o fermento sempre foi um item proibitivo no aspecto cerimonial. A razão disso é que o processo de aumento no volume da massa é chamado de “corrupção” – o entendimento dessa corrupção é mais facilmente compreendida com a afirmação do Ap. Paulo: “um pouco de fermento leveda a massa toda” (1Co 5.6; Gl 5.9).
 
Agora eu pergunto: quantas boas idéias temos para incrementar nossos encontros, estudos e eventos ao longo de nossa liturgia... seria isso a vontade de Deus mesmo ou seria tudo fermento? Teria eu humildade de reconhecer que estou levedando o ministério que o Senhor tem me confiado? A respeito das tradições, vejamos o que o Senhor Jesus declarou a esse respeito:
 
“Respondeu-lhes: Bem profetizou Isaías acerca de vós, hipócritas, como está escrito: Este povo honra-me com os lábios; o seu coração, porém, está longe de mim; mas em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens. Vós deixais o mandamento de Deus, e vos apegais à tradição dos homens. Disse-lhes ainda: Bem sabeis rejeitar o mandamento de Deus,
para guardardes a vossa tradição
.”

(Mc 7.6-9)
Viram a conotação das tradições humanas no conceito do Senhor Jesus? Ele está falando com líderes religiosos, que incluem em sua devoção diversos preceitos que são meramente humanos, incompatíveis com a vida devocional que Deus realmente espera de nós. A respeito de tradições humanas, o Ap. Paulo disse o seguinte:
 
“Se morrestes com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos sujeitais ainda a ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: não toques, não proves, não manuseies (as quais coisas todas hão de perecer pelo uso), segundo os preceitos e doutrinas dos homens?
As quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria em culto voluntário, humildade fingida, e severidade para com o corpo,
mas não têm valor algum no combate contra a satisfação da carne.”

(Cl 2.20-23)

Por isso a tradição não passa de fermento, ou seja – corrupção da forma original. A única ocasião em que se permitia o uso de fermento era nas ofertas de ação de graças (Lv 7.13). A adoração pode sim ser extravagante, espontânea e livre. Nosso louvor ao Senhor pode ser “aumentado”, o caráter de Deus expresso em Sua palavra demonstra isso, mas é a única exceção. O caráter restritivo do reino de Deus me impede de fermentar seu propósito, sua ordem, a forma de edificação da Igreja Dele, a igreja que Ele mesmo edifica – não nós.
 
Não sejamos hipócritas, mas sejamos sim humildes para reconhecer que estamos misturando fermento à simplicidade do Evangelho de Jesus: “Mas temo que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos entendimentos e se apartem da simplicidade e da pureza que há em Cristo” (2Co 11.3); e “acautelai-vos do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia” (Lc 12.1).
 
 

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